Certa vez, no auge das minhas crises de pânico, estava indo encontrar o Carlos em um bar na Vila Madalena, onde ele estava com os amigos, e antes de cruzar o sinal verde pensei "hum, vou parar porque vai que vem um doido". Dito e feito! Passou um maluco, em alta velocidade, furando o farol vermelho e, se eu não tivesse ouvido o sexto sentido, teria acabado com o pobre Milzinho, na melhor das hipóteses. Como era o auge do pânico, claro, tive uma crise de choro e voltei para casa desesperada.
Na sessão seguinte ao ocorrido, eu comentei com a terapeuta que eu achava que quando eu imaginava algo ruim, sempre acontecia. Assim como a vez que eu desenhei o ficante canalha no caderno e o matei diversas vezes e, horas depois, descobri que ele estava no hospital. E ela disse: "seria bom que você acreditasse na força do pensamento para as coisas positivas, assim como você acredita para as negativas".
E eis que, às vezes, bem poucas vezes, eu resolvo pôr em prática o tal conselho. E não é que a Poliana traz resultados? Depois de duas semanas quase doida tentando agendar a entrevista no consulado americano, ontem eu cheguei na redação e pensei: "Não vou aceitar não como resposta. Vou conseguir agendar hoje e ponto". A boa coincidência de abrir o calendário e encontrar uma vaga no dia 28 me fez crer que, às vezes, a polianice dá resultado.
Quem sabe agora eu aprenda! Afinal se o pensamento positivo não fizer bem, mal também não faz.
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