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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Joio e trigo

Foi só dar uma dose de Rivotril à minhoca e ela entendeu o lugar dela. Parte do problema de se criar minhocas na cabeça é que as vezes elas misturam o joio e o trigo lá dentro. E aí tudo fica confuso demais para saber o que é problema e o que é só minhoca.

O trabalho é entender qual é a origem, o que está alimentando a bichinha. Senão, corre-se o risco de achar que o problema é a minhoca, e não a bagunça que ela está fazendo espalhando terra pra todo lado.

Como quando se vê um relâmpago pela janela. Automaticamente, eu, que morro de medo de chuva, me encolho à espera do trovão, sem me dar conta de que o perigo se foi com a luz, que se tem esse tempo todo até o som chegar a mim significa que esse raio já não vai me atingir de nenhuma maneira.

À distância é bem fácil organizar tudo, mas quando se está lá, no olho do furacão, é muito difícil saber o que é chão e o que é céu. Ainda bem que a ventania maior já passou. Agora é só reconstruir a casa.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Minhocas

Tem uma minhoca na minha cabeça. Ela é pequena, mas sofre de hiperatividade. Desde que voltei da terapia ela está aqui, mexendo pra lá e pra cá.

E o que estava me deixando mais desesperada era não ter comentado a existência dela com ninguém. Agora que ela já existe além da minha cabeça fico mais tranquila. Pelo menos sei que ela não vai tomar proporções gigantescas e virar o monstro do Lago Ness.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Eu, ET

A sensação de que não encaixo em lugar nenhum aumenta a cada dia. E toda vez que paro para pensar nisso, eu me sinto bem impotente. É como se a solução para conseguir respeito alheio fosse me inserir no bolo e fazer o que todo mundo faz. Acontece que isso seria um grande desreseito comigo.

Eu não sei como agir. Sou tão incapaz de me posicionar. Eu não tenho mais vontade de interagir com as pessoas. Se para ser ouvida tenho de fazer parte do coro, acho que prefiro viver muda.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Atropelada

E eis que as três semanas mais atarefadas do meu ano passaram. Não, me atropelaram, como eu imaginei que aconteceria. Mas o que importa mesmo é que, no fim, sobrevivi. Com alguns arranhões, uma minicrise de pânico em pleno voo, uma sensação de incompetência maior que a corriqueira... Mas estou inteira.

Talvez essa seja a única vantagem de ter mais de 30 anos, as suas frustrações não te matam mais. No máximo viram uma enorme bola no estômago, mas ela se dilui em bem menos tempo do que aconteceria há dez ou 15 anos.

No fim, meu inglês ruim só me deu mais trabalho, mas não impediu que eu alcançasse o objetivo. O frila ficou uns dias atrasado, mas nada que comprometesse o fechamento da revista. Provavelmente, a prova não foi suficiente para me fazer passar em Leituras do Cânone 1, mas isso só significa que terei de estudar mais literatura, o que não é nenhum sacrifício.