Nem gosta tanto assim do Pessoa, mas acho esse poema genial. Às vezes, sou tão ele.
Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.
Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente ‘stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro!
Tornai Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Poesia escondida
Neste semestre, toda terça-feira tenho dobradinha de poesia portuguesa. Ao sair da USP, a noite está muito mais densa do que ao chegar. O espaço tem outro cheiro. As cores são outras. Eu sou outra. E em minutos a vida real bate à porta e me lembra quem insignificantemente eu sou.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Sem comunicação
Às vezes, as palavras não são suficientes nem úteis. Algumas coisas não podem ser ditas. Conteúdos que não se fazem entendidos. Por mais que a gente queira, por mais que a gente tente, por mais que a gente se esforce. Nem a linguagem corporal dá conta de alguns assuntos. Algumas sensações não podem ser em comum. Elas vivem só dentro de cada um. E não tem como colocá-las para fora. Não viram textos, não viram desenhos, não viram música. Ficam lá, sem entendimento até do corpo que as contêm.
Intransigentes, não permitem acordo. Matam tudo ao redor. Um câncer dos bons sentimentos. Só ela sobrevive. Angustiosa e inútil. Só para tentar derrubar a crença milenar de que o amor pode tudo.
Intransigentes, não permitem acordo. Matam tudo ao redor. Um câncer dos bons sentimentos. Só ela sobrevive. Angustiosa e inútil. Só para tentar derrubar a crença milenar de que o amor pode tudo.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Dia de poesia
Poema de Victor Hugo
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Preconceitos
Eu tenho muitos preconceitos e, para mim, preconceito é uma das piores manifestações de um ser humano, mas infelizmente é inevitável. Eu até hoje não conheci um ser tão superior que não tivesse nenhum preconceito. Então, tento lutar contra os meus diariamente.
O jeito é fazer como os escoteiros: sempre alerta. Não deixar que eles nos dominem ou nos façam tirar conclusões precipitadas, muito menos equivocadas.
Claro que eu estou longe de alcançar minha meta. O meu preconceito com os gordos e com os interioranos, às vezes, me surpreendem justificando atitudes grotescas de pessoas que, por coincidência, têm alguma dessas características.
Mas triste mesmo é a pessoa que tem preconceito e ainda se orgulha dele. Precedido pela frase "não é preconceito, mas...", ele vem todo pomposo. E a pessoa finge que, porque ela desnomeou o preconceito, ele deixou de existir.
Eu ando bem cansada desse preconceito mascarado, velado, nas entrelinhas. Não que ele seja pior que o declarado e consciente como o meu, mas ele é mais dissimulado, e por isso mais irritante.
Não é mais bonito adimitir "sou humano e preconceituoso" do que se fingir superior?
O jeito é fazer como os escoteiros: sempre alerta. Não deixar que eles nos dominem ou nos façam tirar conclusões precipitadas, muito menos equivocadas.
Claro que eu estou longe de alcançar minha meta. O meu preconceito com os gordos e com os interioranos, às vezes, me surpreendem justificando atitudes grotescas de pessoas que, por coincidência, têm alguma dessas características.
Mas triste mesmo é a pessoa que tem preconceito e ainda se orgulha dele. Precedido pela frase "não é preconceito, mas...", ele vem todo pomposo. E a pessoa finge que, porque ela desnomeou o preconceito, ele deixou de existir.
Eu ando bem cansada desse preconceito mascarado, velado, nas entrelinhas. Não que ele seja pior que o declarado e consciente como o meu, mas ele é mais dissimulado, e por isso mais irritante.
Não é mais bonito adimitir "sou humano e preconceituoso" do que se fingir superior?
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Vontade de férias
O sol brilha lá fora e eu queria estar de férias. OK, acabo de voltar do feriado, mas eu queria ter continuado nele. A verdade é que preciso de novos desafios. Ando muito entediada com o trabalho e com a faculdade. Mais do mesmo todos os dias.
Só que, ao mesmo tempo que quero novidades, não quero me mexer para ir atrás dela.
Queria que a felicidade viesse bater à minha porta. Um emprego onde eu fosse feliz e ainda ganhasse bem por isso. Alguém tem algo a me oferecer?
Só que, ao mesmo tempo que quero novidades, não quero me mexer para ir atrás dela.
Queria que a felicidade viesse bater à minha porta. Um emprego onde eu fosse feliz e ainda ganhasse bem por isso. Alguém tem algo a me oferecer?
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