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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Temporada de estreias

As últimas duas semanas foram marcadas pelas minhs estreias em diferentes esportes: corrida de rua e kart. Ok, não foram bem estreias de peso, nem de destaque, mas é o início. Ponto.

Sim, eu participei da Maratona Pão de Açúcar de Revezamento, mas foram cinco quilômetros percorridos em mais de 45 minutos. Para quem corre de verdade, esse tempo é ridículo, mas para mim foi motivo de orgulho. Eu esperava chegar ao meu ponto de revezamento batendo mais de 50 minutos. Fui bem melhor que eu esperava. E ainda corri de verdade um pouquinho. Quando me inscrevi pensei que apenas andaria, no máximo apertando o passo.

A verdade é que me empolguei com a prova. Estou até pensando em fazer mais uma ou duas ainda neste ano. Quem sabe eu não crie vergonha na cara e deixe o sedentarismo de lado, não é mesmo?

A estreia no Kart foi bem mais vergonhosa. Acho que me inspirei no Rubinho. Larguei em último e ali fiquei, atrapalhando o fluxo de carros entre uma curva e outra. O engraçado é que eu só me lembro o quanto sou medrosa quando me ponho nessas situações. Eu achava que era normal entrar em um carrinho e correr. Até eu chegar lá e começar a imaginar aquele tanque de gasolina ao meu lado explodindo, o carrinho virando, meu cabelo enroscando nas rodas e eu ficando sem couro cabeludo... Deprimente!

sábado, 18 de setembro de 2010

Eu e o machismo

Incrível como o tema machismo me persegue. Os livros que tenho lido para faculdade sempre tem uma mulher oprimida pelo machismo vigente. E ao lê-los fico um pouco deprimida em pensar que, séculos depois, continuamos na mesma. Pouca coisa mudou mesmo depois do importante movimento feminista do século passado.

O que me deixa mais intrigada é que vejo, cada dia mais, meninas mais novas que eu, das gerações posteriores à minha, tão machistas quanto as mulheres da geração da minha avó.

Na minha família mesmo acontece algo curioso, no discurso da minha mãe é mais fácil achar pérolas do pensamento machista que no da minha avó, 30 anos mais velha que ela e 60 anos mais velha que eu.

A verdade é que, em um mundo dominado por homens, o movimento feminista conseguiu emplacar apenas os valores que beneficiam a eles. A mulher foi sim para o mercado de trabalho, mas mais para ajudar no orçamento doméstico que para conquistar independência. Os afazeres da casa continuam sendo responsabilidade delas na maior parte dos lares.

A mesma meia verdade se aplica à liberdade sexual. Ou não é verdade que a mulher que transa só por prazer, sem compromisso, como fazem os homens _inclusive os comprometidos, pulando a cerca_ ainda é vagabunda, enquanto eles só estão sendo naturais? Pior, as outras mulheres são as primeiras a apontarem seus dedos para dizer: "como ela queria que ele ligasse para ela no dia seguinte se transou na primeira noite?".

Quando o homem trai, muitas vezes a culpa ainda é das mulheres. Ambas. A traída porque não satisfez seu homem (:S) e a amante porque se insinuou para ele. O fato do cara ser desrespeitoso com ambas poucas vezes é percebido ou citado.

Fazia tempo que não comprava uma revista feminina. Este mês, resolvi ler a "Cláudia". Incrível. Não existe uma matéria que não tenha o tom: seja a mulher perfeita para não ser trocada por outra. Até a publicidade da própria revista traz exemplos de mulheres que são mães, profissionais, esposas, amantes e seja mais o que for exemplares. É para cortar os pulsos depois da pagina 25.

Sem contar o machismo velado. Se meu marido faz uma barberagem, ele está distraído. Se eu faço, sou mulher. Se um homem erra um caminho, faltou a placa. Se uma mulher erra, é porque não tem senso de direção.

Por isso que, infelizmente devo concordar com a pobre Daisy, do The Great Gatsby: "That's the best thing a girl can be in this world, a beautiful little fool". Infelizmente! Quanto menos pensar, mais feliz ela é.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Polianices

Certa vez, no auge das minhas crises de pânico, estava indo encontrar o Carlos em um bar na Vila Madalena, onde ele estava com os amigos, e antes de cruzar o sinal verde pensei "hum, vou parar porque vai que vem um doido". Dito e feito! Passou um maluco, em alta velocidade, furando o farol vermelho e, se eu não tivesse ouvido o sexto sentido, teria acabado com o pobre Milzinho, na melhor das hipóteses. Como era o auge do pânico, claro, tive uma crise de choro e voltei para casa desesperada.

Na sessão seguinte ao ocorrido, eu comentei com a terapeuta que eu achava que quando eu imaginava algo ruim, sempre acontecia. Assim como a vez que eu desenhei o ficante canalha no caderno e o matei diversas vezes e, horas depois, descobri que ele estava no hospital. E ela disse: "seria bom que você acreditasse na força do pensamento para as coisas positivas, assim como você acredita para as negativas".

E eis que, às vezes, bem poucas vezes, eu resolvo pôr em prática o tal conselho. E não é que a Poliana traz resultados? Depois de duas semanas quase doida tentando agendar a entrevista no consulado americano, ontem eu cheguei na redação e pensei: "Não vou aceitar não como resposta. Vou conseguir agendar hoje e ponto". A boa coincidência de abrir o calendário e encontrar uma vaga no dia 28 me fez crer que, às vezes, a polianice dá resultado.

Quem sabe agora eu aprenda! Afinal se o pensamento positivo não fizer bem, mal também não faz.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os dois lados da moeda

Eu nunca entendi muito bem a visão maniqueísta do mundo. Para mim esssa história de que existem só dois lado da moeda é, no mínimo, simplista.

Inspirada pela leitura de "The Scarlet Letter", vim no ônibus pensando em qual lado eu seria colocada no mundo maniqueísta. Será que eu moraria na caixinha branca com a etiqueta "BEM" ou na caixinha preta com a caveirinha estampada na tampa?

Com certeza, se eu fosse assim como sou hoje no século XVII, eu seria queimada na fogueira ou, no mínimo, isolada como a pobre Hester Prynne do livro. Mas e se eu fosse uma personagem atual dos filmes de Hollywood? Além de o de "muito sem graça", que outro rótulo eu ganharia?

Eu acho muito triste que exista essa necessidade de taxar alguém de DO BEM ou DO MAL. O comportamento DO MAL na maioria das vezes não é DO MAL por essência, mas por circunstância. Com frequência, eu tenho comportamentos que isolados fariam parte do repertório da Madame Min, mas no contexto é só parte do meu tentar fazer o melhor e trupicar no caminho.

Não, não sou ingênua a ponto de achar que não tem gente que faz maldade. Mas acho que tem muito mais ligação com a vontade de só fazer o próprio bem do que com o de fazer o mal contra alguém.