Incrível como o tema machismo me persegue. Os livros que tenho lido para faculdade sempre tem uma mulher oprimida pelo machismo vigente. E ao lê-los fico um pouco deprimida em pensar que, séculos depois, continuamos na mesma. Pouca coisa mudou mesmo depois do importante movimento feminista do século passado.
O que me deixa mais intrigada é que vejo, cada dia mais, meninas mais novas que eu, das gerações posteriores à minha, tão machistas quanto as mulheres da geração da minha avó.
Na minha família mesmo acontece algo curioso, no discurso da minha mãe é mais fácil achar pérolas do pensamento machista que no da minha avó, 30 anos mais velha que ela e 60 anos mais velha que eu.
A verdade é que, em um mundo dominado por homens, o movimento feminista conseguiu emplacar apenas os valores que beneficiam a eles. A mulher foi sim para o mercado de trabalho, mas mais para ajudar no orçamento doméstico que para conquistar independência. Os afazeres da casa continuam sendo responsabilidade delas na maior parte dos lares.
A mesma meia verdade se aplica à liberdade sexual. Ou não é verdade que a mulher que transa só por prazer, sem compromisso, como fazem os homens _inclusive os comprometidos, pulando a cerca_ ainda é vagabunda, enquanto eles só estão sendo naturais? Pior, as outras mulheres são as primeiras a apontarem seus dedos para dizer: "como ela queria que ele ligasse para ela no dia seguinte se transou na primeira noite?".
Quando o homem trai, muitas vezes a culpa ainda é das mulheres. Ambas. A traída porque não satisfez seu homem (:S) e a amante porque se insinuou para ele. O fato do cara ser desrespeitoso com ambas poucas vezes é percebido ou citado.
Fazia tempo que não comprava uma revista feminina. Este mês, resolvi ler a "Cláudia". Incrível. Não existe uma matéria que não tenha o tom: seja a mulher perfeita para não ser trocada por outra. Até a publicidade da própria revista traz exemplos de mulheres que são mães, profissionais, esposas, amantes e seja mais o que for exemplares. É para cortar os pulsos depois da pagina 25.
Sem contar o machismo velado. Se meu marido faz uma barberagem, ele está distraído. Se eu faço, sou mulher. Se um homem erra um caminho, faltou a placa. Se uma mulher erra, é porque não tem senso de direção.
Por isso que, infelizmente devo concordar com a pobre Daisy, do The Great Gatsby: "That's the best thing a girl can be in this world, a beautiful little fool". Infelizmente! Quanto menos pensar, mais feliz ela é.
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