Domingo passado trouxe minha caixa de CDs dos Engenheiros que ainda estava na minha mãe. É tão engraçado ver como aquelas músicas me definem de certa forma.
Entre as tantas músicas da adolescência reencontrei a Revolta dos Dândis, com o refrão: eu me sinto um estrangeiro/passageiro de algum trem/que não passa por aqui/que não passa de ilusão. E me lembrei de quem eu sou. Alguém que não se encaixa, em lugar nenhum.
E o mais engraçado é que passam se os anos (ou como diria a mesma música: entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos) e eu ainda continuo sem achar meu lugar.
Aí eu fico anos fazendo terapia para tentar não pirar e, como efeito colateral, passo a não conseguir mais escrever: uma das poucas coisas que me definem.
Claro que eu ainda consigo escrever profissionalmente, aqueles textos burocráticos, cheio de informação chata que interessa a meia pessoa. Mas o que eu sinto falta é de escrever textos que tirem as minhocas da minha cabeça.
Resultado: cada dia mais estrangeira e sem poder tirar as minhocas da cabeça.
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